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REINVENÇÃO
pós-carreira_Career 360

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Fortalecer o bolso e a saúde para o segundo tempo é fundamental. Mas vale pouco se a cabeça não estiver no lugar, preparada para uma última reinvenção. Ao descrever a complexidade emocional da passagem para o pós-carreira, o terapeuta Daniel Kupermann, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, usa o conceito de “novo começo”, emprestado de Michael Balint, um psicanalista húngaro morto há 40 anos. Segundo ele, em momentos de transição há uma exigência de despojamento do modo de vida anterior. Para alguns, pode ser um alívio. Pense no executivo que construiu o patrimônio de que precisa para ele e a família viverem confortavelmente e já acha a vida corporativa um aborrecimento. Para outros, a ruptura com o passado representa um período no purgatório. Se a empresa é seu único propósito, é inevitável que, ao deixá-la, perca a razão para viver.

Algumas empresas têm feito um trabalho de coaching com seus executivos, justamente para que possam rever suas relações com a carreira. Mas, diferentemente da saúde financeira e da física, que têm abordagens universais, a saúde psicológica não conta com uma regra de ouro. O coaching pode ajudar a reconhecer que há aspectos psicológicos a serem trabalhados. A partir daí, o ideal é que isso seja feito de forma dissociada do ambiente corporativo. “Minha recomendação é que o executivo procure um espaço independente, discreto, com sigilo ético”, diz Kupermann. “São raras as pessoas que conseguem enfrentar esse tipo de crise sem auxílio. Não é virtude fazer isso sozinho e não é demérito procurar ajuda.”

Fonte: Época Negócios